O projeto Adote uma Memória trouxe à tona a realidade de quatro memórias femininas de resistência do nosso país!

23 nov 2017
mucio
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O projeto que já vinha sendo administrado pela professora Cíntia Sales teve a sua culminância neste dia, após um bom tempo de organização por todas as turmas da Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães. As turmas de primeiro ao terceiro ano participaram e, mesmo com papeis diferentes, foram protagonistas de um grande show independente da sua apresentação. Vale salientar que o projeto desse ano, embora idealizado pela professora Analice Rocha, foi capitaneado pela professora de história da instituição Cíntia Sales, com o apoio de alguns outros professores e da turma do Terceiro Ano de Comunicação Visual, não esquecendo das outras pessoas de outras turmas do terceiro ano que ajudaram a organizar o projeto.

Iniciando de manhã, o projeto trouxe inicialmente na abertura o tema que portaria o dia todo: a resistência. Com uma performance incrível, as meninas de turmas do terceiro ano declararam com vigor que, realmente, um homem não define uma mulher e abriram muito bem o dia de espetáculo. Logo em seguida, ainda de manhã, uma apresentação buscou referenciar a carne mais barata do mercado, e que seguindo a música, é a carne negra. Trataram do racismo com uma força que soltou um turbilhão de emoções e fez com que todos compreendessem, ao menos um pouco, na pele o sofrimento de um povo por conta da cor de sua pele, foi algo muitíssimo emocionante e importante para chegar até a primeira apresentação do dia promovida pelas turmas. As salas de primeiro ano de Manutenção e Suporte de Informática e primeiro ano de Mecânica protagonizaram a história de Dandara, e mostraram que o quilombo está mais vivo do que nunca. Com uma raça, deixaram bem claro mensagens de cunho negativo ao racismo e cativaram todo o público com danças que revelaram a força da mulher e a sua resistência como negra e mulher dos Palmares. Após a apresentação das turmas de primeiro ano, mais uma vez os coordenadores vieram, dessa vez com Santa Profana que mostrou muito bem o seu conteúdo e conquistou o auditório com uma apresentação imemorável! Logo em seguida veio a segunda apresentação, capitaneada pelas turmas de primeiro ano de Logística A e segundo ano de Logística A, a resistência de Mãe Biu esteve presente na fala dos participantes e nas danças que envolviam a sua religião e os demais orixás. Os estudantes trouxeram com fervor uma verdadeira dança raiz e demonstraram, por um bom tempo, diversos fatores que levaram todo o contexto histórico da vida de Mãe Biu, até o seu legado e todas as suas faces que ainda estão vivas na sociedade. Logo após essa apresentação, os coordenadores lembraram da memória de Frida Kahlo, que mesmo não estando presente no projeto como memória, foi lembrada e uma das mais representadas no nosso projeto deste ano, as meninas conseguiram relembrar cenas importantes do filme e revelar um conteúdo que muitas pessoas não conseguem entender sobre a vida da mesma, uma apresentação maravilhosa que marcou o fim do projeto Adote uma Memória durante a manhã e liberou todos os estudantes e professores para o almoço.

Com a volta de todos os estudantes, a tarde se iniciou muito bem com uma performance incrível de uma estudante do terceiro ano de Comunicação Visual que protagonizou a história de uma judia. Ela marcou e foi a responsável por iniciar uma tarde espetacular que viverá na memória de todas as pessoas que prestigiaram o projeto. Logo após isso, as turmas de primeiro ano de Logística B e segundo ano de Logística B revelaram uma apresentação que falava sobre Olga Benário, os mesmos iniciaram falando sobre o Comunismo e mostrando a atuação da sua memória com o mesmo bem antes dela se dirigir ao Brasil. Os estudantes mostraram muito bem o romance entre Olga e Júlio, no Brasil, a sua ida para a Alemanha Nazista onde ficou presa nos campos de concentração sofrendo cada vez mais e o nascimento da sua filha, Anita Prestes, que foi afastada da mãe no mesmo momento em que nasceu. As duas turmas emocionaram o público e deixaram o forte drama no ar com o desfecho da sua apresentação que foi lindíssima! Após a apresentação das duas turmas, mais uma vez os coordenadores foram responsáveis por uma apresentação muito bonita que trouxe o casal e a memória da Ditadura Militar, antecipando a apresentação dos dois segundos anos de Manutenção e Suporte de Informática A e B. As duas turmas foram responsáveis por uma apresentação que envolveu a memória de Dulce Pandolfi que estava no auditório e declarou que foi a melhor apresentação que já havia sido feita para ela. Os estudantes trouxeram a realidade da Ditadura Militar e foram muitos bons em suas performances, mostraram Dulce denunciando todos os responsáveis por seus anos de sofrimento e tudo o que estava ao redor da vida da tão guerreira mulher que resiste até os dias atuais. Depois da apresentação, os estudantes convidaram a memória para o palco fazendo uma homenagem para a mesma presenteando-a com um buquê de rosas e lendo um texto que se inspiraram pela sua história, e cantando parabéns para a mesma com um bolo, já que o seu aniversário está breve e, a curiosidade, foi o dia em que ela foi libertada. Essa apresentação pode ter sido a última das turmas de primeiro e segundo ano, mas a turma de Comunicação Visual prometia mais e fez uma finalização perfeita, e é isso mesmo que vocês ouviram, perfeita. A performance deles envolvia diversos temas que não são discutidos na nossa sociedade e que, de certa forma, devem ser falados, e trazia de forma explicitas realidades que nem sempre são mostradas. Eles incorporaram o projeto de uma forma que todos sentiram o amor que a turma possui pelo Adote e todos prestigiaram muito bem, adoraram e ficaram ensandecidos com a apresentação da turma que trouxe a tona muita coisa que não existem palavras para descrever finalizando o dia de apresentações do Adote uma Memória 2017.

Todo o projeto envolveu muita coisa, a resistência feminina é um tema que nós devemos abordar nos dias atuais por, simplesmente, a vida de uma mulher ser silenciada. Da mesma forma em que as mulheres não possuem espaço na política, da mesma forma em que as mulheres muitas vezes são taxadas por incapazes e frágeis, as suas memórias são por muitas vezes silenciadas, elas não são relembradas, portanto, o objetivo do projeto neste ano foi muito enriquecedor a todos os estudantes, não por trazer a imagem de quatro grandes mulheres, Dandara dos Palmares, que viveu o período da Escravidão, Mãe Biu, que viveu o período do Estado Novo, Olga Benário, que também viveu o Estado Novo e Dulce Pandolfi que viveu o período da Ditadura Militar, mas sim, por demonstrar que todas as mulheres, todas que estão ao nosso redor, são responsáveis por uma resistência diária. O nosso objetivo é de fazer com que essa resistência não seja em vão e em que um futuro recente as mulheres não precisem mais resistir, e sim, viver a sua vida da melhor forma possível, sem dever nada a ninguém, sem estar sujeita a inúmeros xingamentos e abusos e sem estar exposta ao racismo.