Por que nós devemos falar sobre: Síria

9 maio 2017
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Ultimamente, nós podemos perceber que na maioria dos noticiários da televisão e matérias publicadas e divulgadas na internet tem um foco maior sobre a Síria, mas devemos refletir qual é, realmente, a situação atual desse povo. Hoje, 09 de maio, procuramos refletir mais sobre as diversas questões, muitas vezes voltadas por interesses pessoais, que envolvam a economia ou o seu módulo militar, os números podem nos mostrar detalhes únicos e relevantes sobre isso, 400 mil mortos e aproximadamente 4,5 milhões de pessoas que já deixaram o país, que baseado na Organização das Nações Unidas, é o maior de nossa história mais recente. É bom introduzirmos o tema explicando o porquê do início dessa catástrofe.

Primeiramente, devemos ressaltar que a Síria está no meio de uma “guerra civil”, e usamos aspas porque não é só isso o que motiva o dia-a-dia da guerra e o continuar dela, hoje. Pode-se notar que países como Estudos Unidos e Rússia estão arduamente envolvidos neste conflito, por interesses diversos, ambos se posicionam de forma divergente e isso atribui muito mais que uma guerra civil, se transformando em uma guerra diplomática, de interesse e também motivada por fatores independentes que gera a participação de grupos terroristas que concluir o que, inicialmente, foi um levante pacífico contra o atual presidente, Bashar al-Assad, se transformasse em um conflito brutal, e dentro desse conflito, diversas outras brigas internas provocadas por um poder. O levante inicial pode ter sido provocado pelo alto nível de desemprego, corrupção em larga escala e falta de liberdade política mediante a forte repressão do governo, exemplos como o dos estudantes que pintaram mensagens e foram torturados pelas forças de segurança e outros, provocaram diversos protestos que pediam liberdade no país, inspirados na famosa Primavera Árabe, o governo, infelizmente, respondeu as manifestações com uma inimaginável repressão, provocando mortes e torturas em uma sociedade que apenas desejava um pouco mais de liberdade, isso fez com que os manifestantes começassem a usar suas próprias armas, transformando então, o singelo movimento em uma batalha que adquiriu contornos imprescindíveis. É bom divulgarmos quem está realmente lutando contra quem, porque como já dissemos, a Síria contém conflitos dentro do conflito, a rebelião armada evoluiu e se juntou a forças contra o governo de Assad, apoiadas pelos EUA, e devemos falar que existem diversos movimentos oposicionistas, há casos de movimentos que lutam contra movimentos, e entre outros; os combatentes do famoso Estado Islâmico que chocou todo o mundo com as suas práticas desumanas, provocando uma guerra religiosa, como popularizada, “guerra santa”, que expressa bem o sentido da guerra dentro da guerra, eles enfrentam rebeldes e jihadistas; os diversos países que contribuem em bombardeios aéreos no país; a Rússia que assume uma posição atual de estabilizar o governo de Bashar al-Assad. Aproveitando a citação, um dos bombardeios mais polêmicos que aconteceu recentemente e foi bastante compartilhado por todos os setores da mídia foi aquele famoso bombardeio dos Estados Unidos em Tomahawk na Síria, foram lançados 59 mísseis e seis pessoas morreram, os EUA foram majoritariamente motivados pelo fato do governo ter sido “responsável” por um ataque com armas químicas que matou dezenas de civis e crianças. Os diversos motivos que assolam a tamanha duração dessa guerra é a tamanha influência e interferência das potências internacionais, eles contribuem militarmente e economicamente “patrocinando” alguns grupos rebeldes ou o próprio governo. E vemos também os diversos impactos proporcionados por um longo período de guerra, países vizinhos como Líbano, Jordânia e Turquia sofreram uma pressão altíssima com a necessidade de acolher esses refugiados, é bom lembrar que 10% deles buscaram um asilo na Europa, procurando qualquer país do bloco europeu, gerando toda uma crise imigratória que provocou um crescimento alto da xenofobia em diversos países europeus, alguns inclusive que negavam prestar qualquer tipo de apoio a esses seres humanos, mas voltando às estatísticas sombrias, segundo a ONU, 3,2 bilhões de dólares precisam ser usados para promover a ajuda humanitária para 13,5 milhões de pessoas no país, incluindo as suas crianças, aproximadamente 500 mil pessoas vivem sob o cerco de forças de segurança ou rebelde, 70% da população não tem acesso à água potável, uma em cada três pessoas não supre a necessidade alimentar, quase 2 milhões de crianças não vão ou possuem alguma instituição escolar e um em cada cinco indivíduo vive em situação de pobreza.

 

Siria

 

A comunidade internacional contribui de uma forma superficial, com propostas e simples opiniões, alguns fatos são efetivos, o conselho de segurança da ONU pediu a implementação do comunicado de Genebra, contribuiu também nas negociações de paz de 2014, conhecidas como Genebra 2, que foram, infelizmente, interrompidas, o governo Sírio foi responsabilizado por se recusar em ouvir a oposição, após a participação do Estado Islâmico no combate, um novo movimento de paz surgiu, dando novo ímpeto a busca por uma solução pacifica.

Em relação aos aspectos mencionados no texto, é perceptível que há na Síria, hoje em dia, um estilo de governo totalmente repressor, grupos oposicionistas totalmente despreparados que brigam entre si, mas se unem contra o governo, isso tudo mediante a evolução do Estado Islâmico e alguns outros grupos, isso faz com que os países que financiam e ajudam os rebeldes tenham um certo receio ao enviar as suas armas. Além de várias guerras dentro de uma grande guerra, conseguimos observar todos os malefícios, que são muitos, provocados por esse conflito que já dura a um longo tempo e que desgasta mais e mais a sociedade, ou pelo menos o que sobrou dela. Nós precisamos conscientizar todos para com esse problema, é algo que devemos falar hoje, e apenas hoje, é notório comentários em certos lugares que falam que quando nós estudamos a segunda guerra mundial e o que o nazismo proporcionava aos diversos cidadãos, e, principalmente, os judeus, nos questionávamos sempre, onde é que estava, naquela época, o restante da população mundial? Será que ninguém abria os olhos para aquele enorme genocídio? E então podemos compreender, daqui a alguns anos, em um futuro não tão longínquo, os nossos descendentes farão essa mesma pergunta, então é bom que eu pergunte, onde é que estamos? Não podemos permanecer calados, não podemos continuar sendo coniventes a isso, não podemos deixar com que sofram só porque não somos nós, devemos nos colocar no lugar dessas pessoas, pessoas que viviam como nós vivemos hoje e que, por causa de uma infeliz reviravolta, sofreu por pedir liberdade, não podemos esquecer a Síria.